O Imperador Huang Ti questiona:
“Ouvi dizer que em outros tempos, os seres humanos podiam viver 100 anos. Hoje em dia, aos 50 anos já vemos o esgotamento. Será isto culpa dos homens ou é devido à mudança das condições de vida?”.
O médico Khi Pa responde:
“Na idade antiga, os homens viviam segundo o TAO, o princípio. Eles cumpriam a lei do Yin e do Yang, eram moderados, com uma vida regular e simples. Por isso, sãos de corpo e espírito. Em nossa época, as pessoas bebem substancias alcoólicas, procuram todos os prazeres e se entregam à intemperança. Os sábios ensinam que devemos economizar nossa energia, numa vida simples e tranqüila. Assim o corpo não será atacado por doenças. Resguardando-se dos desejos, seu coração estará tranqüilo, seu corpo poderá ficar fadigado, mas não seu espírito. Deste modo os homens poderão viver um século”.
 Este diálogo se deu há aproximadamente 5000 anos e é o inicio do mais antigo tratado de medicina do mundo, conhecido como NEI CHING. Apesar de possuir 50 séculos, sintetiza procedimentos perfeitamente aplicáveis hoje em dia. Este tratado médico não se restringe à acupuntura, apresentando a questão da saúde como um todo a ser considerado. Foram os primeiros europeus que lá chegaram, que ficaram extremamente surpreendidos com as técnicas de tratamento através da inserção de agulhas. Confundiram a medicina chinesa com a acupuntura, quando esta nada mais é que uma de suas especialidades. É natural que as obras que surgiram na Europa, só tratassem desta modalidade terapêutica.
Para melhor entender a medicina chinesa, que conserva uma nomenclatura de eras passadas, é necessário conhecermos um pouco do mundo em que ela nasceu e nos princípios filosóficos que lhe servem de base. Para a medicina chinesa, a saúde de um indivíduo, é resultante do equilíbrio entre duas forças opostas que se defrontam em todas as manifestações da natureza.
Estas forças circulam pelo corpo através de canais definidos e as variações na distribuição desta energia geram sintomas decorrentes deste desequilíbrio por excesso ou insuficiência. Cabe então, ao médico, manter o equilíbrio das forças em oposição. É antes de tudo, uma medicina preventiva.
“Tratar o que ainda não está doente é atributo de um operário superior;
o medíocre cuida do que já está doente.”
PIENN TSIO – Século V a.C. |